Portugaltunas - Tunas de Portugal

CIRTAV 2012
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CIRTAV 2012

TDUP, A Grande Vencedora Da Noite.

Realizou-se no passado dia 26 de Maio, na cidade de Viseu, a edição 2012 do CIRTAV - Certame Internacional de Tunas do Real Tunel Académico de Viseu. Dadas as condições climatéricas do ano anterior não terem permitido a realização do festival, as tunas da edição anterior foram novamente convidadas para mostrarem o seu brilho à cidade de Viseu. Sem a participação da Tuna de Medicina da Universidade de Coimbra mas com a Partituna - Tuna Académica do Instituto Superior do Vouga, prometia-se um grande fim-de-semana de festa, contando ainda com a presença da Estudantina Académica de Castelo Branco, da Estudantina de Braga e da Tuna do Distrito Universitário do Porto.

Apesar do início do certame estar previsto apenas para as 12 horas de Sábado, vários foram aqueles que quiseram dar início à festa mais cedo, dando cor e alegria às ruas de Viseu na noite anterior.

Após o almoço ao ar livre, no restaurante Colmeia, onde as tunas se juntaram e começaram a confraternização, bem como após a reunião de magisters, houve lugar para a serenata, nas traseiras da Sé. "Saudade" (Partituna), "Minha Ilusão" (Estudantina Académica de Castelo Branco), "Cartas de Amor" (Estudantina de Braga) e "Aquella Tarde" (Tuna do Distrito Universitário do Porto) foram os temas que desfilaram pelo peculiar local de realização da serenata, sob o olhar atento de alguns transeuntes e moradores.

De seguida, as tunas foram encaminhadas para o Boquinhas, local bem conhecido e de paragem obrigatória em Viseu, onde nasceu o Real Tunel Académico de Viseu. Entre música, algum retemperar de forças e muito convívio, iniciou-se o pasacalles até ao Rossio, levando às ruas e às gentes de Viseu espírito tunante, alegria e um ambiente verdadeiramente de festa, numa tarde solarenga.

Findo o pasacalles, foi tempo das tunas serem recebidas na Câmara Municipal de Viseu pelo seu presidente, tendo havido ainda lugar para uma apresentação de um tema por cada tuna, deixando uma pequena amostra para aquele que seria o espectáculo nocturno. Seguiu-se o jantar, novamente no restaurante Colmeia.

Dada a instabilidade das condições climatéricas durante o dia de Sábado e temendo-se uma situação idêntica à do ano anterior, a organização deslocou o espectáculo para o Auditório Engrácia Carrilho, na Universidade Católica Portuguesa, tendo havido algum atraso no início do mesmo.

Com o auditório a meio-gás (mas compondo-se ao longo da noite, ainda que longe de esgotar a sua lotação), a Viriatuna - Tuna Académica da Escola Superior de Saúde de Viseu deu início ao festival, como tuna extra-concurso, apresentando os temas "O que faz falta", "Vaca de Fogo" e "Enxurrada".

A primeira tuna a concurso foi a Partituna - Tuna Académica do ISVouga. Com 22 elementos em palco, iniciaram a sua actuação com o seu hino "Partituna", tendo interpretado de seguida o tema "Torre da Feira", em homenagem à cidade de Santa Maria da Feira. "Vou-me emborrachar" foi o tema que se seguiu e que deu lugar ao instrumental "Continental" e ao tema de solista "Perfidia". A Partituna despediu-se do público com "Noites Perdidas", numa actuação sem grandes rasgos mas com muita dedicação por parte dos seus elementos.

A Estudantina Académica de Castelo Branco (EACB) foi a segunda tuna da noite a apresentar-se ao público visiense. Com 30 elementos em palco, iniciaram a sua prestação com o tema "A morte saiu à rua", de Zeca Afonso", prosseguindo para "Amanhecer", uma serenata e tema de solista, com muitas flores para o público feminino. "Estudante" foi o tema que se seguiu, tendo a EACB tocado, de seguida, o seu instrumental "Estranha História de Francesinha e Julieta". A sua actuação terminou com duas animadas músicas: "Variações Albicastrenses em Lá Menor" e o hino "É por ti que eu canto". Tratou-se de um espectáculo com pormenores de muita qualidade na execução de esquemas de bandeiras, bem como uma evolução qualitativa face a actuações anteriores.

Do Minho veio a Estudantina de Braga como terceira tuna a concurso. Com 26 elementos em palco, escolheram a sua conhecida "Lenda do Mar" para dar início à sua actuação. "Nem às paredes confesso" foi o tema que se seguiu, tendo a Estudantina de Braga interpretado, seguidamente, o instrumental "Israelita". A serenata "O teu batom" e o original "Zé Caloiro" deu continuidade à prestação desta tuna, tendo a Estudantina de Braga terminado o seu espectáculo com um medley à capella de António Variações. Uma actuação consistente e musicalmente bem conseguida; no entanto, pautou-se negativamente por algum "humor" pouco ajustado ao contexto e à situação em que se encontravam.

A última tuna a concurso foi a Tuna do Distrito Universitário do Porto (TDUP). Com 24 elementos em palco e numa disposição clássica com traje de gala (em homenagem ao centenário da Universidade do Porto), iniciaram a sua prestação com um trecho instrumental muito interessante ao nível da mistura de estilos, com passagem para "La Negra Tomasa". Os temas "Quero as Estrelas, Quero o Luar" e "Estrela da Tarde" deram continuidade à actuação, seguindo-se, quanto a mim, o melhor tema da noite com "Vejam Bem". O original "Meu Porto sem Par" fechou a actuação, tendo a TDUP saído de palco com "Raparigas Belas". Tratou-se de uma prestação muito completa a nível de estilos musicais, com destaque para os seus solistas e para os arranjos instrumentais, numa cadência de espectáculo fluida e bem trabalhada.

Fechado o lote de tunas a concurso, e enquanto o júri deliberava, subiu ao palco a tuna da casa. Com 35 elementos em palco, iniciaram a sua actuação com um trecho de "Abertuna" e "Rua Escura 43". "Viseu Terra Nobre" foi o tema que se seguiu, bem como os temas "Procurei-te" e "Serenata a um Anjo", fortemente aplaudidos pelo público presente. Após a entrega de prémios, o Real Tunel Académico interpretou ainda "Homenagem a Hilário", finalizando o espectáculo com "Borboletas". Uma actuação com a sonoridade e (grande) qualidade que lhes são características, sempre aplaudidos e acarinhados pelo seu público.

O Júri, composto por:

J.Pierre Silva (presidente do Júri) - Membro fundador e 1.º Magister da extinta tuna da UCP de Viseu e do Real Tunel Académico de Viseu; antigo Dux da UCP - Viseu; regente do extinto Orfeão Académico de Viseu; maestro do Chorus CSD de Lisboa; autor e compositor; co-autor do livro "QVID TVNAE? A Tuna Estudantil em Portugal"; membro colaborador do Museo Internacional del Estudiante.

Hernâni Figueiredo (jurado extra-palco) - Membro do Real Tunel Académico de Viseu; responsável por diversas áreas na Associação Cultural da UCP-Viseu.

João Almas (jurado extra-palco) - Co-fundador do Real Tunel Académico e da Tuna da UCP-Viseu. Presidente do RTAV em 2008. Antigo dirigente associativo.

João Paulo Sousa (jurado de palco) - Antigo tuno da Estudantina Universitária de Coimbra; fundador e 1.º magíster da Infantuna Cidade de Viseu; membro da Toada Coimbrã; fez parte da administração do Portugaltunas; autor e compositor; professor de guitarra portuguesa no Conservatório de Música de Viseu; co-autor do livro "QVID TVNAE? A Tuna Estudantil em Portugal"; membro colaborador do Museo Internacional del Estudiante.

Paulo Sérgio Ferreira (jurado de palco) - Membro fundador da extinta tuna da UCP-Viseu e seu ex-magister; foi membro do Real Tunel Académico de Viseu; possui vasta experiência como músico em diversos grupos musicais.

Eduardo Coelho (jurado de palco) - Antigo orfeonista do Orfeão Universitário do Porto; ex-magister da Tuna Universitária do Porto (1988-1993); pertence ao Grupo de Fados do OUP e à Tuna Veterena do Porto, da qual é membro fundador; antigo Dux da Faculdade de Letras da Universidade do Porto; autor e compositor; co-autor do livro "QVID TVNAE? A Tuna Estudantil em Portugal"; membro colaborador do Museo Internacional del Estudiante.

Deliberou:

Melhor Serenata - Tuna do Distrito Universitário do Porto
Melhor Pasacalles - Estudantina Académica de Castelo Branco

Melhor Pandeireta - Estudantina de Braga
Melhor Estandarte - Tuna do Distrito Universitário do Porto
Melhor Solista - Tuna do Distrito Universitário do Porto
Melhor Desempenho Instrumental - Tuna do Distrito Universitário do Porto

Tuna mais Tuna - Tuna do Distrito Universitário do Porto
2.ª Melhor Tuna - Estudantina de Braga
Melhor Tuna - Tuna do Distrito Universitário do Porto


A festa continuou junto ao restaurante Colmeia, tendo a noite terminado na discoteca NB (e, para os mais corajosos, pelas ruas de Viseu após o fecho da mesma).


O Portugaltunas endereça os parabéns ao Real Tunel Académico pela organização de mais uma edição do CIRTAV, agradecendo toda a disponibilidade para com o portal.


Marta Costa

Guga Ferreira

CARREGA ESTUDANTINA DE BRAGA

J.Pierre Silva

Fotos: https://www.facebook.com/jeanpierre.silva.75#!/pages/Cirtav-Certame-Internacional-do-Real-Tunel-Acad%C3%A9mico-de-Viseu/120088014726465

Filipe Evangelista

Antes de tecer qualquer comentário a este artigo, devo sublinhar que esta é uma posição pessoal e que não traduz nenhuma opinião oficial da Estudantina de Braga. Participei no CIRTAV 2012, e devo dar os parabéns à organização pelo evento, bem como pela imparcialidade nos prémios, cuja atribuição foi completamente justa. Quanto a isto nada a assinalar. No entanto não posso deixar de demonstrar a minha indignação quando li neste artigo algo que, ou aconteceu num festival onde eu não estive, ou eu tenho uma percepção do que é o humor e do que é um contexto de tunas completamente errada: "A ESTUDANTINA DE BRAGA.......PAUTOU-SE NEGATIVAMENTE POR ALGUM "HUMOR" POUCO AJUSTADO AO CONTEXTO E À SITUAÇÃO EM QUE SE ENCONTRAVAM". Em primeiro lugar questiono-me qual seria a situação em que a Estudantina de Braga se encontrava; num certame de tunas?! um local de convívio, boa disposição e ambiente informal?! Não são as tunas caracterizadas pela boa disposição e IRREVERÊNCIA?! Talvez o sentido de humor dos minhotos seja demasiado peculiar (como foi referido no inicio da atuação do Real Tunel, e isso sim pareceu-me desapropriado; referir perante um publico de várias zonas geográficas do país que os minhotos são mal educados e que os beirões são pessoas de melhor trato). Em segundo lugar questiono-me qual foi a situação, frase ou postura que a Estudantina de Braga terá dito que formou esta opinião no autor deste artigo. Já pensei e pensei, e revi a atuação, e não encontro onde houve humor inapropriado, ou falta de educação. A única situação passível de chocar as mentes mais pudicas foi uma piada sobre o incómodo que é a fase menstrual; piada esta que foi dita previamente num programa de grande audiência na TV pública (5 para a meia noite) e curiosamente nem queixas ao provedor do ouvinte foram feitas a cerca disso. Se calhar agora deveria existir um provedor dos festivais e certames de tunas, que ao que parece iria ter bem mais trabalho. Gostaria portanto, caso possível, que fossem concretos na explicação de que em momento o humor da Estudantina de Braga foi desajustado. Pertenço a tunas vai fazer 11 anos, é a terceira tuna onde me encontro tendo sido magister de 2 delas, mas se calhar ainda tenho de aprender o que se ajusta aos ambientes de festivais... Se não podemos ser irreverentes nestes contextos não sei onde poderemos ser. Para cinzento já temos o dia a dia e a famosa crise. Aproveitemos estes momentos para libertar fantasmas, sermos verdadeiros e deixarmos os preconceitos de lado. Atenciosamente, Filipe Seara

O Conquistador

Eu, por exemplo, não teria contado essa piada, se estivesse na presença da minha mãe, da minha avó, da minha tia, da minha madrinha ou da minha irmã. E quando digo "minha mãe", etc., digo, naturalmente, toda e qualquer mãe, avó, tia, madrinha ou irmã de qualquer outro tuno, por uma simples questão de respeito. Os tunos são irreverentes? Pois sim senhor. Mas são também cavalheiros em todas as situações. Mais: se eu quisesse ficar bem visto perante uma mulher que nunca vi mais gorda, certamente não lhe contaria essa anedota. Como também sou do Minho e crescidinho, pouco ou nada me choca em termos linguísticos. Em termos de humor, sou de uma tolerância total. Achei um piadão à anedota, até por ser sportinguista. Na "tasca", só com a malta, tudo bem. Naquela situação, com senhoras de todas as idades presentes... eu não o faria. Só por isto - e só por essa anedota - é que se pode afirmar, como a autora do artigo, que houve algum humor deslocado. Tu próprio, pela expressão facial e corporal, tiveste a consciência de que talvez tenhas ido um pouco "longe de mais".

O Conquistador

Onde se lê "nunca teria contado", deve ler-se "nunca contaria".

J.Pierre Silva

Assim me parece também. Não houve crime de lesa pátria, todos gostamos de irreverência, mas há certos limites. Não apenas mães, avós ou irmãs estavam presentes, mas filhas. Eu não gostei, de todo, da piada naquele contexto. Se tivesse sido contada no Bóquinhas, até beberia mais um "Sol&Sombra". Em palco, perante o público ......outro cuidado se exige. Penso por isso que a Marta não disse rigorosamente nada que não fosse factual ou sentido por quem estava do lado de cá do palco. Não vejo motivo para qualquer celeuma, até porque este ano nem grafitis houve. lol

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