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II Tunão: Reportagem
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II Tunão: Reportagem

Por José Pedro Rodrigues

 

 

 

Nos Passados dias 16, 17 e 18 de Novembro decorreu mais um Tunão e o PortugalTunas, Média Partner deste evento, esteve presente. O Festival contou com as Serenatas, na Reitoria da Universidade do Minho a 16, no dia seguinte o Concurso, no Auditório Adelina Caravana da Escola de Música Gulbenkian e no dia 18 o Convívio das Tunas, no Largo dos Peões.



A concurso tivemos a presença das seguintes Tunas Femininas:


 

TunaMaria – Tuna Feminina da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa

As Mondeguinas – Tuna Feminina da Universidade de Coimbra

Tun’Obebes – Tuna Feminina de Engenharia da Universidade do Minho

Tufemed – Tuna Feminina de Medicina da Universidade do Porto


Extra-Concurso a Tuna Universitária do Minho e a Organizadora Tun’ao Minho – Tuna Académica Feminina da Universidade do Minho.



Na noite do certame, o ambiente foi de animação à entrada para o auditório, com a casa que se foi compondo à espera do início do festival, que estava marcado para as 21h30. Não foi muito depois, contudo, que se deu início às festividades com a abertura a cargo da Tuna extra-concurso, a Tuna Universitária do Minho – a qual é, desde a edição de estreia do ano passado, a Tuna Madrinha da organização. 


Os vermelhos, como são conhecidos, abriram com a canção "Terras de Portugal", seguida de "Sonho," duas músicas animadas para dar o tom à festa. De seguida interpretaram um tema de Nelson Cavaquinho, "Flor e Espinho", feito fado acompanhado a viola braguesa e coro. Terminaram com as emblemáticas "Partizan" (o instrumental que, de resto, parte tudo por onde passa) e "Boémia". 


Deram-lhes lugar a primeira tuna a concurso, a TunaMaria. As meninas do Sul do país deram início à sua atuação com um coral (tática recorrente durante o festival) intitulado "Amor", seguindo para a sua rapsódia instrumental "Tarantellas", com base em temas italianos. De seguida tocaram dois fados: o primeiro, mais tradicionalmente, foi uma adaptação do "Fado Português", celebrizado por Amália Rodrigues mas que aqui foi solado a duas vozes, e o segundo, mais animado e em ritmo de tuna, foi o tema "Rosa Branca", da fadista Mariza. A TunaMaria terminou com o tema "Alma Dividida", original desta Tuna, que fala sobre a dificuldade de conciliar o amor à cidade de onde se é e o amor que se toma às cidades que se visitam. No geral, foi uma atuação sólida da TunaMaria, mas que não fica na memória, salvo pela originalidade dos seus naipes coreográficos e pela voz das suas solistas.


Depois do divertido interlúdio dos apresentadores, seguiram-se as meninas de Coimbra, as Mondeguinas, que começaram por apresentar o coral de cante alentejano "Hino aos Mineiros". O segundo tema, cantado em Mirandês, foi uma cantiga tradicional de Trás-os-Montes, chamada "Manolo Mio", seguida do tema de José Afonso, "Entrudo". Após esta digressão por canções de cariz tradicional, as Mondeguinas apresentaram dois originais: "Indignação", que nos conta um pouco as dificuldades vividas durante a fundação desta Tuna, potenciadas pelo que elas descrevem como “um ambiente machista”; e "Da Saudade", mais melancólico mas sem dúvida o ponto alto da atuação. Para terminar, prosseguiram com o instrumental "O Meu Bandolim Tem uma Corda a Menos", tema que lhes foi oferecido pela In Vino Veritas, e a derradeira "Tinta Verde", adaptação do tema de Vitorino. A prestação das Mondeguinas foi pautada por um lado por uma exímia seleção repertorial, ainda que por outro não tenha conseguido contagiar o público. 


Depois do intervalo, atuaram as raparigas que jogavam fora de casa em casa: a Tun’Obebes, que apesar de ser da U. Minho, vem do campus de Guimarães. Ao contrário do que foi recorrente nas tunas a concurso, deram início à segunda parte do espetáculo não com um coral, mas com o seu animadíssimo tema instrumental de tom árabe, "Al-Môndega". Tendo começado bem, prosseguiram com dois originais: "Guimarães Preciosa", evidente hino à cidade que as “acolhe enquanto estudantes”, e "Capas Negras", este já dedicado ao traje e às tradições que lhe estão ligadas. A penúltima música foi a música de solista, a adaptação da canção dos Deolinda, "Ele Passou por Mim e Sorriu", com um arranjo com potencial para crescer. Para a última canção escolheram uma adaptação do tema "Já Estou de Regresso Amor", dos alumni das tunas "Os Quatro e Meia". Foi uma performance potente da parte da Tun’Obebes, que começou em grande – mesmo – e fechou com chave de ouro, nunca perdendo qualidade entre o início e o fim (o que, de resto, se notou na entrega dos prémios).


A última Tuna a concurso veio do Porto, a Tufemed. As futuras médicas começaram com o coral do tema "Vindimas", prosseguido de um Fado, que foi a sua canção de solista, "Amor a Portugal". O tema seguinte foi o instrumental "Farruco em Ré", que foi acompanhado por bons momentos por parte das pandeiretas e das bandeiras. O quarto tema que apresentaram foi uma adaptação da famosa (no seio das Tunas) "Dos Palomitas", seguindo-se a música final, o seu original "Porto de Histórias", que fala um pouco da mística da cidade onde está sediada a Tuna. Foi uma atuação segura da Tufemed, que para além de parecer ter sentido alguma dificuldade em seguir a tuna anterior, padeceu também de já alguma fatiga por parte do público; contudo ficam registadas as boas prestações a nível coreográfico.


Para fechar o seu festival, atuou por fim a Tun’ao Minho, que começou com uma música tocada pelas suas caloiras (acompanhadas pelas novas capotilhas). A Tun’ao Minho em si começou por um seu original, "Minho Traje de Negro", seguido da "Canção de Madrugar", que foi a sua música de solista da noite. Esta foi precedida pelo seu instrumental, que é composto de parte de músicas dos Melech Mechaya, intitulado "Insónia". A quarta música foi um outro original, chamado "Trovas de Amor", que contou com imensas pandeiretas à frente (10 ao todo, no clímax). Antes da entrega dos prémios, houve ainda tempo para uma adaptação da "Escadas de Luar" e da canção sul-americana "Moliendo Café". 


Depois deu-se lugar à entrega dos Prémios, que foram distribuídos da seguinte forma:


Melhor Serenata - Tun'Obebes
Prémio LipSync - Tun'Obebes
Melhor Passacalles - Tufemed
Melhor Pandeireta - Tun'Obebes
Melhor Estandarte -Tufemed
Melhor Solista - TunaMaria
Melhor Original - Tun'Obebes
Melhor Instrumental - Tun'Obebes
Melhor Tuna - Tun'Obebes
Tuna Mais Tuna – Tufemed [entregue na tarde do dia seguinte, durante o convívio das tunas]. 


O PortugalTunas, Média Partner Oficial deste evento, agradece a elegância e gentileza tida para connosco, bem como as facilidades concedidas.


Para o ano há mais: o III Tunão (a quem alguns chamarão o IV...)


J.P.R.

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