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Tunas ou Orquestras Académicas? Eis a questão... outravez

César Tiago Moreira Fernandes

08-11-2009 11:04
Sendo um tema de reflexão já antiguinho, fico perplexo, quando vejo "tunas" com "baterias", saxofones e outros instrumentos metálicos... o que é isto? "Inovação tecnológica"... é algum programa apoiado pelo do Eng. José Sócrates como o Magalhães???? Serão Tunas? Bandas? Orquestras??????????

Cito apenas uma definição simples, que todos conhecem:
in: "pt.wikipedia.org/wiki/Tuna"

"Uma tuna é um agrupamento musical, essencialmente composto por cordofones. A origem destes agrupamentos encontram-se nos antigos sopistas e pícaros de antanho, estudantes maltrapilhos (alguns pertencentes às classes mais baixas do clero) à cata de sustento, que se socorriam dos seus dotes musicais e artísticos para sustento dos seus estudos, folias e excessos juvenis. Já a pretensa ligação aos Goliardos parece ser mais uma colagem romântica do que um facto histórico - tese defendida por alguns, a propósito da suposta herança goliardesca nas tunas.

A Tuna Académica é um agrupamento constituído por estudantes essencialmente do ensino superior (embora nas primeiras décadas do século XX tenham sido comuns as tunas compostas por alunos de liceu). O repertório musical das tunas é extremamente variado, indo desde adaptações de temas de autor, passando pela música erudita, até composições originais cuja temática incide essencialmente na vida boémia estudantil, na celebração do amor, mantendo afinidades temáticas com o fado e um certo estilo de música muito em voga em meados do século XX, de cariz humorístico e brejeiro - picaresco, portanto. Envergam usualmente o traje académico da instituição que representam, sem prejuízo de em certos casos serem criados trajes especificamente para o efeito - inspirados, em todo o caso, quer em trajes estudantis de séculos passados, quer com adaptações de elementos etnográficos da região a que pertence.

As tunas preservam uma tradição secular, com raízes numa tradição com origem na vizinha Espanha.

A origem do vocábulo "Tuna" é incerta. Alguns defendem que a origem seria o provençal "Thune" -"albergue para mendigos", muito divulgados no sul de França. Esta teoria apoia-se no carácter mendicante dos "sopistas" (do espanhol "sopa"), classe de estudantes que sobreviveriam à custa da "sopa boba" (ou sopa dos pobres) distribuída gratuitamente nesses albergues; assim "tunos" seriam os que se alimentavam à custas desses "thunes". Segundo outros, apoiados em certo "dicionário de autoridades" do século XVIII - de rigor questionável - a palavra derivaria do espanhol "atún", dada a semelhança que existia, na opinião do respectivo autor, entre o carácter migratório daqueles peixes e o carácter ambulatório dos tunos. Ainda de acordo com esta teoria, "tunos" seriam os trabalhadores sazonais que se deslocavam para o sul de Espanha para aproveitarem o trabalho proporcionado pela faina do atum no Mediterrâneo; estes trabalhadores sazonais teriam inspirado os estudantes a uma vida igualmente errante. Outras teorias mais amplamente difundidas procuram situar a origem no latim "tonare" (soar), muito embora esta evolução contrarie as leis da evolução fonética do latim para as línguas ibéricas. Pretendem ainda outros que "tuna" seria apenas a corruptela de "estudiantina".

Existem inúmeros mitos sobre a história e origem dos tunos e das tunas alimentados pela falta de bibliografia respectiva e de um estudo sistémico deste fenómeno. O livro "Tunas do Marão" do etnomusicólogo José Alberto Sardinha e os trabalhos desenvolvidos por J.Pierre Silva, Ricardo Tavares, Eduardo Coelho e João Paulo Sousa se configuram como fonte credível no estudo e investigação da Tuna em Portugal. Para ilustrar os muitos equívocos e mitos que giram em torno da história e origem das tunas, podemos ler Mitos sobre a História das Tunas, servindo para desfazer algumas fantasias históricas.

As tunas chegaram, a Portugal no século XIX e a visita da Tuna de Santiago de Compostela, em 1888 e, depois a de Salamanca à Universidade de Coimbra (vindo-se a formar, logo após a Tuna Académica de Coimbra/Estudantina Universitária de Coimbra), bem como ao Porto e Lisboa, marcam os primeiros passos da institucionalização da Tuna. Mais ou menos na mesma altura se forma a Tuna Académica do Porto, que passou a designar-se Tuna Universitária do Porto a partir de 1911, ano em que a Academia Politécnica passou a Universidade do Porto. Na sequência destas, outras se formam no nível liceal (o actual ensino secundário), das quais a mais antiga é a Tuna Académica do Liceu de Évora.

O fenómeno "Tuna" não se fixou apenas no contexto académico. De facto, foi fora do contexto universitário que este tipo de agrupamentos conheceu maior pujança ao longo de todo o século XX, um pouco por todo o país. Estes agrupamentos de cariz popular receberam outro tipo de designações, além do de tuna: orquestra popular, orquestra típica, conjunto típico, entre outras. Segundo uma definição que contém tanto de simplista como de verdadeira, no parecer de Ernesto Veiga de Oliveira, uma tuna seria "Um grupo de pessoas que não sabe música e que toca música para aqueles que a sabem", numa alusão ao carácter assumidamente amador e voluntarista deste tipo de agrupamentos. Já J.Pierre Silva, avança que Tuna Académica/Universitária, é um grupo de cariz musical, constituído por estudantes ou antigos estudantes do ensino superior, em representação do estabelecimento ou da instituição de ensino superior que frequentam ou a cujos organismos artísticos pertençam, ou, ainda, livremente associados, que reproduzem uma cultura e tradição secular (com raízes no séc. XIII), herdada dos antigos pícaros e sopistas do Século de Ouro espanhol, através do conceito de “correr la Tuna” manifestado e vivenciado pelos Tunos/Tunas do país vizinho, que chegou a Portugal em finais do séc. XIX e foi retomado nos anos 80 do séc. XX. Apresentam-se com o traje da academia em que se integram ou indumentária própria (devendo, neste último caso, ser de inspiração académica, do traje espanhol à capa e batina, incluindo, por vezes, elementos de inspiração etnográfica/histórica da região em que se enquadra a sua actividade estudantil), no estrito respeito pelas raízes tradicionais estudantis nacionais (ou tunantes – numa concepção ibérica). Fazem-se acompanhar, essencialmente, de cordofones, podendo também incorporar outros instrumentos de carácter acústico e portátil, cuja configuração permita a mobilidade e cariz migratório da Tuna, na interpretação de repertórios eclécticos e variados, de que a vida estudantil é denominador e traço comum, uma opinião partilhada por Eduardo Coelho,, similar à defendida por Ricardo Tavares.

Na actualidade, e desde o ressurgimento do fenómeno no contexto universitário, durante os anos 80 do século passado, a tuna académica/universitária é entendida como um grupo musical composto exclusivamente por alunos ou ex-alunos do ensino superior, embora tal não obste à existência de tunas académicas fora da geografia universitária (mas, nesse caso, já não há o uso do traje académico, só permitido aos que frequentam um curso superior).

Os instrumentos principais são:

Guitarra clássica
Cavaquinho
Bandolim
Baixo acústico ou Contrabaixo
Pandeireta
Acordeão
Bombo
Flauta "

Cordiais Saudações Académcias e Tunantes,

César Fernandes - ESTGF/IPP (Escola Superior de Tecnlogia e Gestão de Felgueiras / Instituto Politécnico do Porto)

 

  • César Tiago Moreira Fernandes respondeu a César Tiago Moreira Fernandes em 08-11-2009 11:14
    Será que também se vão começar a utlizar guitarras eléctricas, mesas de DJ? Quanto tempo falta para isto? hehe

    Saudações
    [ Responder a César Tiago Moreira Fernandes ]
  • Rita Cavaleiro Madeira respondeu a César Tiago Moreira Fernandes em 09-11-2009 12:56
    Desculpa se a resposta é curta mas neste momento não tenho tempo pra mais:

    Aproveito para te citar:
    "essencialmente composto por cordofones" - Essencialmente não é igual a Basicamente! Logo pode ser inserido outros instrumentos.

    E como dizias no tópico: "Outravez"
    Valerá a pena voltar a esse Tema? A meu ver não!

    Pra mim Tuna são grupos de estudantes que se juntam para tocar e cantar, que representam a sua academia. Esta é a minha Definição de Tuna!
    Todas as outras filosofias do "de onde vem" "para onde vai", desculpem mas já não tenho paciência. Li, reflecti e tal como na Bíblia cada um interpreta como quer!
    Deixem-nos expressar-se como querem e expressem-se vocês nas vossas Tunas também como querem! "Amigo não empata Amigo!"

    Beijinhos
    [ Responder a Rita Cavaleiro Madeira ]
    • O Conquistador respondeu a Rita Cavaleiro Madeira em 09-11-2009 05:03
      «Pra mim Tuna são grupos de estudantes que se juntam para tocar e cantar, que representam a sua academia. Esta é a minha Definição de Tuna!»

      Pronto, está dito...

      "que se juntam para tocar e cantar» é fácil de perceber...

      "que representam a sua academia" é que já é mais difícil.

      Sem querer que entres em "Filosofias", importas-te de explicar o que é isso de representar a academia: em que moldes se processa, quem legitima, como se processa aos olhos exteriores?

      Se os elementos da equipa de futebol da tua universidade se juntarem para cantar (no jantar depois do jogo) e tocar (cada um que imagine o quê) - sendo que representam a academia (pois são a equipa de futebol da Univ. X), são uma tuna.

      Bem visto.

      À atenção da organização do próximo ENT: já nem vale a pena procurar mais oradores(as).

      Aliás, ENT para quê? O problema está resolvido.

      Abraço e
      BOA MÚSICA!
      [ Responder a O Conquistador ]
    • J.Pierre Silva respondeu a Rita Cavaleiro Madeira em 09-11-2009 10:10
      Só vou responder a uma parte apenas, pois que me parece que a Rita é daquelas que se satisfaz apenas com o eco dos seu sprópriso saberes.

      No tocante à parte "essencialmente composto por cordofones", significa, tal, que, historicamente, as tunas usavam outros instrumentos, nomeadamente a percussão ligeira (pandeireta) e as flautas (as chamadas falutas doces, em contraposição às demais), a que mais trade se incorporou o acordeão (pelas razões explicadas no ENT).
      O figurino instrumental da Tuna obedece à questão da chamada "música baixa" por contraposição à "música alta" - aspectos que foram explicados no último ENT, reforçando o que já tinha avançado José Alberto Sardinha (que citei no post anterior, e que vem referido na citação da wikipédia, salvo erro).

      Significa isso que, antes de nos pormos a interpretar a metro, convém determos conhecimentos, de facto, paa suportar cada entendimento interpretativo.
      A bíblia é passiva de "entendimentos", mas fio-me mais nos provindos de gente que a estuda e conhece, de facto, do que em qualquer aprendiz de feiticeiro.

      Bj
      [ Responder a J.Pierre Silva ]
    • César Tiago Moreira Fernandes respondeu a Rita Cavaleiro Madeira em 09-11-2009 06:59
      Ah e como referiste também:

      "Como eu, a maioria das Tunas assumem que essas Tunas que usam esses instrumentos como Tunas também, tanto que as convidam para festivais, encontros etc. E chegam a concorrer umas contra as outras, sem qualquer problema e não vejo os Júris ou mesmo quem faz os regulamentos preocupados em penalizar quem está a ir de encontra a suposta tradiçãom nem as que concorrem contra elas se recusarem a participar por tal razão."

      Felizmente, ao contrário do que dizes, ainda há júris que têm em atenção o leque de instrumentos utilizados, postura e respeito pela tradição.

      Saudações Tunantes, de uma terra pequenina, Felgueiras.


      [ Responder a César Tiago Moreira Fernandes ]
  • Rita Cavaleiro Madeira respondeu a César Tiago Moreira Fernandes em 09-11-2009 01:09
    ahh .. e..

    "Na actualidade, e desde o ressurgimento do fenómeno no contexto universitário, durante os anos 80 do século passado, a tuna académica/universitária é entendida como um grupo musical composto exclusivamente por alunos ou ex-alunos do ensino superior, embora tal não obste à existência de tunas académicas fora da geografia universitária (mas, nesse caso, já não há o uso do traje académico, só permitido aos que frequentam um curso superior).

    Os instrumentos principais são:

    Guitarra clássica
    Cavaquinho
    Bandolim
    Baixo acústico ou Contrabaixo
    Pandeireta
    Acordeão
    Bombo
    Flauta "

    Se não me engano a Tuna do Liceu de Évora que por acaso é Centenária é uma Tuna de Liceu e usa traje académico.

    E mais uma vez diz ai "Instrumentos principais", que nem todos são cordofones e como em tudo na vida há principais e secundários.. logo tarolas, pratos, saxones, oboés se não quiseres chamá-los de principais, chama-se de secundários já que nem todas as tunas têm elementos que os saibam tocar!

    Na minha Tuna, infelizmente não temos muita variedade de instrumentos, mas prende-se exclusivamente por isso, por os elementos não entrarem na Tuna já com uma formação num instrumento específico e como os que lá estão também não sabem não se ensina. Mas claro está que se tivéssemos violinistas, saxofonistas aproveitaríamos para integrar esses instrumentos nas nossas músicas.

    As vezes estes comentários desfavoráveis prendem-se por invejas, o que se lamenta.
    Não é por se ter baterias que se é Melhor Tuna que outras que não as têm.

    Cabe a cada Tuna escolher o seu estilo e não faço "Julgamentos" porque usam chapéu, ténis, têm baterias ou saxones!
    O que me interessa é que tenham espírito, animem o público que os ouve e que eles próprios se divirtam!

    beijinhos
    [ Responder a Rita Cavaleiro Madeira ]
    • J.Pierre Silva respondeu a Rita Cavaleiro Madeira em 09-11-2009 10:04


      Rita,

      1º Obviamene que a Tuna do Liceu de Évora usa capa e batina, pois nunca deixou de o fazer. O que se passa, actualmente, é que qualquer outro liceu que queira formar uma tuna terá, porventura, deixado de ter legitimidade para usar traje académico (cujo o uso regressou, há muito, à esfera universitária, sendo-lhe exclusivo).

      2º Pratos, tarolas, saxofones...não são instrumentos secundários de Tuna, porque simplesmente não são instrumentos de Tuna!
      Isso foi cabalmente demonstrado no último ENT. Em breve sairá uma obra a dar conta de tudo isto, mas se não quiseres esperar, espreita o que diz José Alberto Sardinha, etnomusicólogo, sobre o facto, no livro "Tunas do Marão".

      3º E não, não vale tudo com a desculpa de que "desde que tenham espírito......".

      Já agora, também no ENT, se explicou a diferença entre Orquestra e Tuna, como tipologias próprias, nomeadamente nos meios onde ambas as realidades conviviam.
      [ Responder a J.Pierre Silva ]
  • Rita Cavaleiro Madeira respondeu a César Tiago Moreira Fernandes em 09-11-2009 11:34
    Não sei como se passa na tua academia mas na minha qualquer Núcleo da faculdade só o é depois de legitimado pela própria academia, entendendo-se por isso a Direcção da Universidade.

    Não sou mais de que ninguém, nem tão pouco estou habilitada historicamente como alguns de vocês. Mas o que quis demonstrar com o que disse é que acho uma perda de tempo estas conversas que não levam a lado a nenhum.

    Como eu, a maioria das Tunas assumem que essas Tunas que usam esses instrumentos como Tunas também, tanto que as convidam para festivais, encontros etc. E chegam a concorrer umas contra as outras, sem qualquer problema e não vejo os Júris ou mesmo quem faz os regulamentos preocupados em penalizar quem está a ir de encontra a suposta tradiçãom nem as que concorrem contra elas se recusarem a participar por tal razão.

    Pondo-se isto de que vale esta conversa?

    Acham mesmo que quem os usa vão deixar de os usar pq alguns (mesmo que muitos) discordem?
    Acham que alguém que discorde tem legitimidade para obrigar essas Tunas a mudarem de nome para "orquestra"? Se o acham tentem faze-lo, gostava de ver as respostas!

    Quanto ao ENT, que por acaso tive a oportunidade de ir a um à 2 anos, até achei que é um evento interessante, mas nenhuma conclusão a que se chegue lá pode ser considerada LEI e portanto peço imensa desculpa se não USO citações do ENT porque tanto podia ter sido falado no ENT como no café da esquina que vale o que vale.
    Não estou com isto a menosprezar o ENT, que para alguns até pode ser útil, mas para outros nem tanto.
    Não há nenhuma entidade reguladora das Tunas e desculpem a presunção, mas tenho dúvidas que venha a haver. Assim sendo cada tuna vai continuar a ter os seus estatutos, as suas regras e não há ninguém que tenha o direito de os criticar ou mesmo quere-los mudar!

    O mundo inteiro muda com o tempo, as pessoas adaptam-se e nas Tunas passa-se o mesmo. É assim tão difícil aceitar isso?

    Não estou aqui a tentar demover ninguém, só a precaver a perda de tempo.

    Mas se preferem continuar com o tópico, estarem aqui dias a fio, meia dúzia de pessoas a bater numa tecla e outra meia dúzia a bater na outra e chegar ao fim e nada mudar, Força!

    Saudações académicas

    [ Responder a Rita Cavaleiro Madeira ]
    • J.Pierre Silva respondeu a Rita Cavaleiro Madeira em 09-11-2009 02:21
      A questão, aqui, não passa por legitimar ou regular, e muito menos entrar nas questões do reconhecimento em certames e afins.

      A questão centra-se, neste caso, em conhecer.

      Uma coisa é verificar-se que uns fazem assim, outros fazem assado; mas outra, bem distinta, são os factos.
      Poderão muitos, por motivos diversos, ignorá-los, mas não deixam de ser factos e a repetição do erro, do equívoco, da "invenção" não transmuta é algo algo incorrecto ou falso em correcto e verdadeiro.

      Os ENT sempre forma espaço de discussão, onde o próprio facto de se discutirem e trocar opiniões sempre teve mais o objectivo de aproximar do que determinar ou chegar a conclusões objectivas.Essa é a parte do debate, da opinião.
      Mas também nos ENT há para formação, não passível de interpretações a metro, quando se tratava de apresentar estudos, histórica e cientificamente (na área da musicologia, etnomusicologia...) suportados (tal como sucedeu no ENT de Castelo Branco sobre a História da Tuna em Portugal), sobre determinado assunto. Infelizmente, salvo o de Viseu e o de este ano, a maioria dos ENt cquase só apresentou temas de índole opinativa do que a apresentação de palestras baseadas em estudos.

      Não se trata de perseguir, legislar ou demover seja quem for, mas apenas lutar contra certos "saberes" e certas "verdades" caídas não se sabe bem de onde.
      Muitos "aventureiros" dizem que a tuna é assim ou assado, mas a quem perguntaríamos "por quê?" - sendo que a resposta obtida já sabemos qual é.
      Sendo a Tuna uma tradição, haverá alguns cuidados a ter quando se propalam certas "verdades" ou se defendem certas "inovações" sem qualquer base.

      Cito o que escrevi noutro tópico, acerca de tradição:

      "O grande perigo está, indubitavelmente, no "entendimento" que alguns têm de tradição, forçando uma suposta maneabilidade do termo e conceito para justificar "evoluções".
      Por Tradição se entende os costumes que vêm do passado e o acto de transmitir e conservar esses mesmos costumes.
      A UNESCO tem promovido a defesa das tradições, dos costumes, que classifica como Património Imaterial da Humanidade (PIH) tendo-se tornado uma das suas prioridades com a aprovação, em Outubro de 2003, de uma convenção para a sua salvaguarda, a qual entrou em vigor a 20 de Abril de 2006.
      Nesse âmbito se inserem as tradições académicas, estudantis, folclóricas, etnográficas......".

      Sou defensor de um organismo supra-tunante, federativo, cujo o objectivo é, acima de tudo, criar espaço de encontro, promoção e defesa de uma cultura e tradição, em detrimento do neo-invencionismo que delapida e descaractriza em nome de pseudo-evoluções (que mais não são do que umbilicais concepções por conveniência).
      Não se trata de criar censura, mas antes o direito que temos em censurar (fazer o reparo) aqueles que acham (por ignorância ou má fé) poder dizer e fazer só porque sim, como se isto fosse "terra de ninguém" (aqueles que não sabem, não querem saber e acham deter o ônus de inventar a Tuna).
      Muito menos se trata de impor um ponto de vista, porque,da minha parte, tal como de alguns outros, basta-nos ficar pela descrição e ilustração de evidências factuais, documentadas e historicamente válidas, para que as devidas distinções se façam.
      Que há quem as não siga, não lhes ligue.....pois isso é outra questão. O facto de muitos não ligarem, não significa que não seja válido como princípio. Não se ande é, depois, a apregoar que é desta ou daquela maneira, querendo atirar arreia aos olhos alheios, como se fóssemos todos papalvos.

      Não se trata, de todo, de excluir, rotular ou coagir, mas ser coerente e intelectualmente vertical para, sobre isto de tunas, falarmos com conhecimento e propriedade (em vez e ouvirmos teorias néscias a defenderem certas práticas e opções que não têm cabimento algum).
      Dizia o meu amigo, e ilustre, Eduardo Coelho, o "Conquistador", que, mais grave do que a Censura do Estado Novo é a actual "Censura da Ignorância".
      Sábias palavras!!!

      Bj
      [ Responder a J.Pierre Silva ]
      • R T respondeu a J.Pierre Silva em 09-11-2009 02:27
        Verba volant, scripta manent.

        Abraços!
        [ Responder a R T ]
        • Rita Cavaleiro Madeira respondeu a R T em 09-11-2009 06:09
          Cá está outro Tema, que realmente já estava a estranhar ainda não ter sido abordado:

          "Sou defensor de um organismo supra-tunante, federativo, cujo o objectivo é, acima de tudo, criar espaço de encontro, promoção e defesa de uma cultura e tradição, em detrimento do neo-invencionismo que delapida e descaractriza em nome de pseudo-evoluções (que mais não são do que umbilicais concepções por conveniência).
          Não se trata de criar censura, mas antes o direito que temos em censurar (fazer o reparo) aqueles que acham (por ignorância ou má fé) poder dizer e fazer só porque sim, como se isto fosse "terra de ninguém" (aqueles que não sabem, não querem saber e acham deter o ônus de inventar a Tuna).
          Muito menos se trata de impor um ponto de vista, porque,da minha parte, tal como de alguns outros, basta-nos ficar pela descrição e ilustração de evidências factuais, documentadas e historicamente válidas, para que as devidas distinções se façam.
          Que há quem as não siga, não lhes ligue.....pois isso é outra questão. O facto de muitos não ligarem, não significa que não seja válido como princípio. Não se ande é, depois, a apregoar que é desta ou daquela maneira, querendo atirar arreia aos olhos alheios, como se fossemos todos papalvos.

          Não se trata, de todo, de excluir, rotular ou coagir, mas ser coerente e intelectualmente vertical para, sobre isto de tunas, falarmos com conhecimento e propriedade (em vez e ouvirmos teorias néscias a defenderem certas práticas e opções que não têm cabimento algum)."



          Tal como digo que tudo muda com o tempo, também este Tema já poderia ter sido abordado e os seus defensores terem posto mãos à obra para que formassem uma Associação ou Sindicato de Tunas de Portugal.
          Vocês que historicamente e mesmo do presente estão tão habilitados e conhecedores do actuar panorama Tunante formem-na/o e apelem a todas as Tunas do país a se associarem!

          Num leque de se calhar de umas boas centenas de Tunas que existem, certamente vão conseguir sócios.
          Nas normas de qualquer associação existem Estatutos ao qual os associados/sócios terão de os seguir.

          Poderão fazer Regras específicas e com critérios específicos como bem entenderem, votados e aprovados em Assembleias e a partir daí essas tunas se regerem perante essas tais Normas/"leis".
          Repito, ESSAS Tunas.
          Podendo até excluir quem não seja associado (porque não se rege nas tais normas)a não ter oportunidade de confraternizar em certames, festivais etc.

          O Assunto de Entidade Reguladora e de "cada Tuna se rege pelas regras que quer" estaria Arrumado! (quanto mais não seja para quem se associar)

          Bem e vocês já me conhecem um pouquinho, não quero entrar em atrito com ninguém, sou uma pessoa muito terra a terra e deixei aqui a minha opinião sincera(ainda que achem descabida).

          Continuo a achar que estes assuntos para serem só falados que mais vale deixar-se de perder tempo. Tomem posições assumidas e Legais (formação da tal entidade regulados/associação/sindicato)de uma vez por todas e deixem-se de teorias passando à prática!
          Se acham que o vosso tempo é bem empregue neste fórum com estes tópicos, então continuem... Não censuro, mas continuarei a demonstrar o meu desagrado quando achar que o deva fazer.

          Beijinhos pra todos
          [ Responder a Rita Cavaleiro Madeira ]
          • César Tiago Moreira Fernandes respondeu a Rita Cavaleiro Madeira em 09-11-2009 06:50
            Como dizias Rita:

            "O mundo inteiro muda com o tempo, as pessoas adaptam-se e nas Tunas passa-se o mesmo. É assim tão difícil aceitar isso?"

            Evolução neste caso penso, que está a ser negativa. Na minha opinião, todo este leque de tunas com novos instrumentos, surgiu devido à competitividade exagerada que se criou. As tradições deviam ser preservadas. Como dizia um Senhor do futebol, Paulo Bento: hoje em dia poucos são os que têm valores e caractér.
            A onda festivaleira actual, prejudicou em muito as tradições tunantes.
            O companheirismo, espirito entre tunas, actualmente é raro. Anda tudo ver quem ganha mais prémios.

            E numa arruada, num passe-calles, andam-se com as "baterias" às costas? Não se calhar, já não se fazem.

            Este tema, nunca é demais discuti-lo.

            Saudações Tunantes,
            e até um Encontro de Tunas ou um convivio, ou outra actividade que preserve as tradições, companheirismo e solidariedade.

            Se calhar é melhor encerrar o tópico, senão quem sabe, os Da Weasel, podem ler isto, e querem-se tornar numa especie de "Tuna" hehe.


            [ Responder a César Tiago Moreira Fernandes ]
          • J.Pierre Silva respondeu a Rita Cavaleiro Madeira em 09-11-2009 08:05
            Cara Rita,



            Se há assunto que já foi amplamente discutido no PortugalTunas foi o da Federação de Tunas (parece andar distraída), algo sobre o qual outros também deram atenção:

            notasemelodias.blogspot.com/2007/08/notas-sobre-federaoassociao-nacional-de.html
            asminhasaventurasnatunolandia.blogspot.com/2007/10/aventura-do-dilogo-parte-ii.html

            Tanto foi questão de debate que esteve presente num dos ENT: notasemelodias.blogspot.com/2007/10/notas-de-mesa-sobre-federao-tunante.html

            Caso tenha a paciência intelectual para ler de fio a pavio, perceberá que não se trata de excluir, porque ninguém é obrigado a integrar uma associação ou federação. Cada grupo se rege pelso suas regras e comunga de aspectos comuns que os unem, daí que qualquer grupo de tunas está no seu pleno direito de se associar como bem entender. Quem quiser e reunir as condições para ingressar fá-lo, os demais não (livres de formar outro grupo ou não).

            Não se trata de atrito, até porque esta questão não vem sequer ao caso, por isso adiante.

            Quanto a teorias, elas só o são para quem sacode a água do capote.

            Pessoalmente, não ando nisto com o objectivo de formar entidades ou afins, mas, sim, o de partilhar e ajudar a promover uma cultura de excelência no respeitante ao saber e conhecimento do que é a Tuna, da sua história, génese e traços característicos e identificativos (com base em estudo e investigação séria, e não em palpites de quem acha saber sem saber coisa nenhuma).
            Quem pratica o que desconhece é tonto.

            Na parte que me cabe, juntamente com alguns outros companheiros de viajem, esperamos, em breve, que o nosos labor investigativo (já em fase de redacção) possa passar à prática da divulgação e leitura generalizada.
            Conseguindo isso, já muito teremos feito.
            [ Responder a J.Pierre Silva ]
  • O Novessetum respondeu a César Tiago Moreira Fernandes em 09-11-2009 07:41
    Meus Srs,

    A Tuna de hoje não é igual à Tuna dos anos 90, nem à dos 80 e muito menos à Tuna dos anos 20.

    Que tradição estamos aqui a falar?

    À dos violinos e musica clássica?
    À Tuna dos contrabaixos e acordeões?
    À Tuna dos bongós e congas?

    Ainda não entendi que tradição é aquela que se fala aqui!!!

    Entidades reguladoras? Federações? Com que legitimidade?

    [ Responder a O Novessetum ]
    • J.Pierre Silva respondeu a O Novessetum em 09-11-2009 08:48
      Caro Novessetum,

      Vou aproveitar a tua deixa, embora não te esteja a responder directamente (este sistema de post não permite escrever que não seja a responder a alguém).

      A Tuna de hoje não é igual, e seria interessante saber em quê e por quê.
      Contrabaixos, violinos (e mais tarde acordeãos, por exemplo), bem como música clássica sempre foram traços próprios das tunas.

      Tradição existe, património existe; há é quem pareça não se ter apercebido disso, daí o que vamos vendo por aí, amiúde, como bem sabes.

      Das entidades reguladoras ou federações, ou o que quer que seja, obviamente que têm legitimidade, dentro do estrito âmbito de quem a esses formatos está associado, de quem integra, e não aos demais, claro está.

      Agora seria de perguntar, também, com que legitimidade alguns se averbam como fazedores de tuna e inventam novas concepções e entendimentos.
      E falo em legitimidade moral e intelectual, claro está.

      A Tuna X ou Y usa ténis baseado em que pressuposto, em que precedente histórico ou tradição tunante?
      A Tuna Z ou W toca com bateria, saxo e outros que tal, suportada em que traço característico da tipologia Tuna; com que base histórica e cultural tunante?
      A Tuna F ou K canta em Swali, vestida com meio traje da cintura pra cima e de calções às bolinhas e faz números de patins baseado em que argumento?

      Eu respondo: Fá-lo apoiado no "apetece-me!", "achámos que era giro!"; "é para ser diferente!", etc.
      Nenhum tuno, nenhuma tuna conseguirá provar historicamente ou em termos de musicologia provar que esses aspectos são próprios de Tuna.
      A fique bem claro que não estou, aqui, a misturar o que é, ou não é Tuna -que são coisas diferentes (e um juízo que a cada um cabe individualmente fazer).

      A esses, pelo menos, seria de perguntar: o que é uma Tuna, de onde vem, qual a sua história, quais as suas características?
      Seríamos a chacota de muito boa gente ao perceber-se que os próprios tunos sabem tão pouco, ou quase nada (e dos que menso se interessam por saber), sobre a a Tuna, suas origens e evolução.

      Há quem ache que pode inventar a Tuna, quando esta já está inventada há muito, bem antes de todos nós.
      Há quem ache que a Tuna é coisa recente e que não pertence a ninguém e, por isso, pertencendo a cada um em particular, está no seu pleno direito de fazer o que bem lhe apetece (e os outros que comam e calem!).
      Um erro crasso de quem não percebe que apenas somos depositários de um legado que nos cabe preservar e promover, porque de uma tradiçã se trata.
      Há quem, não sabendo coisa alguma de Tuna, mas sabendo muito de tocar e andar em festivais, julgue nada ter a aprender (tipo autista de umbigo supradimensional).
      Há quem, por ignorância ou má fé (ou ambas), adopte uma atitude reprovável que é a de se recusar, pelo menos, em alargar conhecimentos e saberes, de facto, sobre aquilo que diz viver ou representar.

      Que haja quem ignore, queira lá bem saber, faça tábua rasa......pois bem sabemos que assim é, foi e será.
      Não tenciono fazer de polícia, longe de mim.
      O tempo e o bom-senso tratarão de auto-regular.

      Mas haja, ao menos, a honestidade e bom-senso de não quererem, alguns, chancela e selo de certificaçao nos seus argumentos, e práticas, vazios e ausentes de conhecimento de causa, baseados apenas no "apeteceu-nos" e porque sabemos a quanto a festivalite aguda levou a certos exageros e limites.

      Faz lembrar o acordo ortográfico que convenientemente alguns iluminados determinaram ser o futuro da língua (delapidando-a e descaracterizando-a), quando bem sabemos que ela não funciona por decreto e nenhum sentido faz ela vergar-se ao grande argumento económico que está na base dessa alteração.

      Fica a reflexão
      Abraço.

      [ Responder a J.Pierre Silva ]
      • César Tiago Moreira Fernandes respondeu a J.Pierre Silva em 09-11-2009 10:09
        Caríssimo, obrigado pelo seu trabalho de pesquisa, obrigado pelo seu contributo.

        Cordiais Saudaçoes Tunantes
        [ Responder a César Tiago Moreira Fernandes ]
      • Rita Cavaleiro Madeira respondeu a J.Pierre Silva em 09-11-2009 10:23
        J. Pierre

        Eu sei que tem sido amplamente discutido, estive presente nesse ENT. Mas não se vive de discussões nem nada Muda por 3 ou 4 membros por Tuna achem que deve ser assim ou assado.
        Dentro da Democracia que exista numa Tuna são discutidos todos os assuntos inclusivamente esse e o que é preciso saber é o que As Entidades (Tunas) acham e que elas juntas decidam fazer o tal "ajuntamento de Tunas" que pensam da mesma forma!

        Não vejo Tunas a pronunciar-se sobre o assunto e sim pessoas singulares, (membros de Tunas).

        César

        Estava aqui a pensar naquilo que o tempo muda e graças a Deus que certas tradições ao longo dos tempos mudaram.
        Dou como exemplo a Escravatura que felizmente acabou, os casamentos que eram "até que a morte os separe" e hoje em dia há divórcios, jamais haver casamentos do mesmo sexo e pelo que parece mais cedo do que se julga já os teremos.

        E no que toca ao sexo feminino que só servia pra "parir" e "coser meias", hoje em dia têm direito a voto, já são independentes e emancipadas, são olhadas como iguais aos homens e contra a tradição académica retrogada já estudam em Universidades e vê lá tu até formam Tunas Femininas e Mistas contra o que historicamente foi criado pelos Espanhois ou mesmo em Portugal.

        Estas evoluções às tradições foram erradas?
        Eram necessárias!

        Com a competitividade Geral todo o individuo quer ser o melhor que possa ser. Esse sentimento é transmitido para os grupos que integram e pela lógica vão evoluindo musicalmente para melhor poderem presentear o público que os ouve.

        Novessentum

        "A Tuna de hoje não é igual à Tuna dos anos 90, nem à dos 80 e muito menos à Tuna dos anos 20."
        Graças a Deus!

        J. Pierre

        Intitulo-me membro de uma Tuna, temos Estatutos, cumpri-mo-los, mantemos a tradição académica da nossa academia, tocamos todos os instrumentos que tivermos à mão e saibamos tocar, cantamos musicas portuguesas, originais e adaptadas. Não somos nem mais nem menos que as outras Tunas, nem tão pouco temos a presunção de sequer julgar se uma Tuna é ou não é Tuna.

        Sou Mulher e é com muito orgulho que sou membro de uma Tuna Feminina que foi fundada em 1993 e isso só é possível porque alguém "deu a volta" à tradição e resolveram fundar Tunas Femininas em Portugal!
        Também és contra a Tunas a femininas?

        "Agora seria de perguntar, também, com que legitimidade alguns se averbam como fazedores de tuna e inventam novas concepções e entendimentos."

        Já com falta de paciência para este novelo, Só consigo responder desta maneira:

        Têm a mesma Legitimidade como Tu de Inquisidor da História das Tunas. Tu tens a História dos Antepassados do teu lado, eles têm o Presente e o Futuro dentro da sua Tuna a conviver com outras Tunas como eles!

        Estas evoluções não estragam, antes pelo contrário, o Bom nome que queremos que as Tunas preservem.

        Não voltemos às histórias do Velho do Restelo nem voltemos com a Inquisição.

        Viva a Democracia e Liberdade de Expressão, às tecnologias que nos permitem este tipo de debates e o Futuro a Deus pertence.

        P.S.- J. Pierre, (Conselho de amiga) Cuidado com os teus discursos que de democráticos têm muito pouco, passas uma imagem de Velho retrogado agarrado ao Passado e a tradições obsoletas, com um Ego do tamanho do Mundo que à falta de plateia usa este Fórum como o seu Palco favorito para se fazer ouvir.
        [ Responder a Rita Cavaleiro Madeira ]
        • Rita Cavaleiro Madeira respondeu a Rita Cavaleiro Madeira em 09-11-2009 10:32
          Para todos,

          Não fiquem zangados com os meus comentários.
          São opiniões..

          E como sempre fica-mo-nos pelas opiniões individuais de 4 ou 5, nada se proíbe, nada Muda, fica tudo na mesma e as Tunas vão evoluindo, ou na opinião de alguns se deteorando.

          Daqui a 2 anos Alguém voltará a este tópico e as respostas não serão muito diferentes destas...

          Concluo (antes que me mandem calar) como comecei, valerá a pena discutir este assunto outravez?

          Saudações Tunantes
          [ Responder a Rita Cavaleiro Madeira ]
          • César Tiago Moreira Fernandes respondeu a Rita Cavaleiro Madeira em 09-11-2009 11:37
            Zangados rita nem pensar, é sempre bom ter pontos de vista diferentes.

            "Tunas" ou "certas Tunas" não se pronunciam sobre este assunto pois não lhes convém.

            Daqui a 2,3, 4 anos, para a semana ou próximo mês se se voltar a debater este tema ... interessante, é sinal que ainda existem Tunas ou Tunos... ou como numa Crónica recente do "Notas e Melodias", com o estado actual do panorama das Tunas portuguesas mais vale fazer um "fúneral" e uma retirada digna.

            Saudações
            [ Responder a César Tiago Moreira Fernandes ]
          • O Conquistador respondeu a Rita Cavaleiro Madeira em 10-11-2009 03:43
            Tenho vários amigos hindus que, por volta de Dezembro, me desejam um feliz Natal. Ao que julgo saber, montam árvores lá em casa e, pelo visto, trocam presentes na noite de 24 para 25.

            Tenho vários amigos ATEUS que fazem o mesmo (ou parecido), além de gozarem calmamente as férias do Natal e da Páscoa.

            Tanto uns como outros lá vão para a noitada de S. João (24 de Junho).

            Mas que sentido faz um ateu, um hindu ou um muçulmano festejar um santo? - Não é isto tudo um contra-senso medonho?

            Pior (?) quando servem nessa(s) noite(s) caril e pão tandoori ou vão ao McDonald's mamar um CBO ou um Big Mac.

            Acho bem que se reúnam todos uns com os outros e comigo e que bebamos todos uns copos e nos divirtamos à grande. Por mais que estejamos a 24 de Dezembro ou a 24 de Junho, não estão (eles) a festejar o nascimento do Menino Jesus nem o S. João. Estão a repetir gestos cujo significado desconhecem e a fazer coisas em determinados dias do ano só porque sim... Pouco falta (já não falta) para que a segunda geração diga que come caril no dia 24 de Dezembro porque é assim que se festeja o Natal ou que o Big Mac é prato típico do S. João.

            Não estão, por isso, nem a festejar o Natal nem o S. João: outra coisa qualquer, sim; aquelas duas, não. Há uma simples coincidência temporal, mais nada.

            Assim nem todos os alunos universitários que se trajam e tocam instrumentos e têm bandeiras e pandeiretas são tunas: não; coincidem no tipo de instrumento e de farpela, mas tão só.

            Chamarem-se "tuna" faz tanto sentido como um hindu festejar o Natal ou eu festejar o fim do Ramadão...

            Por que não usam outro nome? - Esta é uma questão que nem sequer pões, cara Rita. Alguns grupos que se intitulam tuna sabem tão pouco sobre o que é uma tuna como a maioria dos ateus sobre o Natal. Ou estão dispostos a festejar o nascimento de Jesus com tudo o que isso implica, ou então estão a travestir-se e a entrar numa profunda contradição com aquilo em que acreditam - ou não acreditam, no caso.

            Coerência, Rita, é uma palavra quase desaparecida do vocabulário da maioria das pessoas. Coerência é justamente aquilo que se pede. Falta de coerência é justamente aquilo que se critica.

            O Big Mac não é um prato típico de Natal - queira-se ou não. É preciso forçar muito o sentido de "típico" para se entender que sim. Ou então relativizar até ao infinito. Mas se entramos por aí, então nada é criticável, nada é censurável, porque tudo tem a haver apenas com a escala de valores de cada um. Não há assassinos - porque para aquele indivíduo em concreto a vida humana não vale nada. Não há ladrões, porque para outro o respeito pela propriedade alheia não lhe foi incutido desde pequeno - e por aí adiante até ao absurdo.

            De facto, torna-se impossível "discutir" quando o argumento que invocas é sempre "Tu não podes fazer nada contra isso".

            É verdade. Não posso fazer mais do que pedir às pessoas que pensem no que andam a fazer.

            Mas a questão que tu nunca colocas é: "Essas tais coisas que eu (Conquistador) não posso mudar estão certas? Porquê? Estão erradas? Porquê?"

            É tão mais fácil não pensar em nada...


            Abraço e

            BOA MÚSICA!
            [ Responder a O Conquistador ]
        • J.Pierre Silva respondeu a Rita Cavaleiro Madeira em 10-11-2009 12:35
          Rita,

          1º Aconselho a ler o post do RT
          2º A questão da Federação ou o que seja não é central, enm sequer é matéria de decreto-lei, nem nunca foi. Ninguém, sequer, tentou impor fosse o que fosse ou defender isso.
          3º Há "tradições" que sofreram alterações de 180º, e ainda bem. Em Tunas, o que era assim tão mau para justificar o que amiúde alguns perpetram? Ainda bem que somos diferentes das tunas dos anos 80, em quê? Na qualidade musical? Concordo: melhorou-se muito. E que mais melhorou? Que coisas tão fantásticas se aboliram para respirarmos dealívio quanto às tunas dos anos 80?
          4º Não sou contra tunas femininas, nem contra as mulheres usarem calças. O que certamente não me iludem é dizerem que as calças possuem 4 pernas, sejam usadas por homens ou mulheres;

          5º Essa do inquisidor foi a bela da argolada.
          Parece-me a mim que ainda não entendeste nada do aqui discutido.
          Eu defendo a necessidade (e parece mais que provado pelo teu discurso) de se conhecer o nosso património, porque só assim se entende, de facto, o que somos e podemos, com propriedade (e não ao sabor dos apetites) traçar rumos. Que temos o dever de preservar uma cultura, algo só possível conhecendo-a, sob pena de a adulterarmos.
          Isto não é uma questão de ter o passado, futuro ou presente seja de que lado for, é uma questão e conhecimento.
          O passado pertence a todos (mesmo se muitos preferem ignorá-lo), tal como o presente e o futuro (não me excluas, que ainda tenho muitos anos de vida pela frente, não sou octagenário).

          Pelo teu raciocínio, porque o fuuro pertence aos vindouros e o passado vale coisa nenhuma, aceitarias, de bom grado, que uns quantos determinassem, por exemplo (e a título meramente caricatural):

          a) que a lingua oficial de Portugal passasse a ser o alemão;
          b) que as cores do FCP passassem a ser o vermelho ou o verde;
          c) que reconvertessem os Jerónimos para lá instalar um centro comercial (mesmo se preciso fosse, deitando abaixo umas quantas partes);
          d)que mudassem o nome da tua cidade(ao jeito stalinista, como sucedeu com leningrado/stalingrado);
          e) etc........

          Que importam essas mudanças, que importa a história, a tradição, a identidade, conquanto se evolua, é isso?

          Não, minha cara, não sou inquisidor de coisa alguma, apenas curioso em saber e conhecer, percebendo o meio em que e insiro.
          Será assim tão condenável que haja quem estude as nossas raízes, a nossa génese?
          Já disse que não sou polícia de tunas, nem quero.
          Agora, faça-te isso comichão, ou não, certamente que não pactuo com quem inventa argumentos e supostas estórias ficcionadas de tradições avulso, quais lendas medievais, para justificar certas opções.

          O líder do Irão também afirma,convenientemente, que o holocausto nunca existiu (por ignorâncias ou má fé, ou ambas).

          6º Certas evoluções não estragam (antes pelo contrário), dizes. Mas isso é uma opinião. Eu também gosto muito de ver e ouvir certas evoluções (é uma opinião também),mas sei diferenciar gostos de factos. Até acharia engraçado um rancho poder dançar com roupas mais actuais ou tocar com instrumentos mais....modernos (era capaz de ser um upgrade interessante),mas lá se ia a preservação da etnografia tradicional (que esses grupos pretendme retratar), e em menos de nada....., mesmo ganhando outras virtudes e aspectos, perde-se-iam outros, porventura essenciais e característicos.

          7º Ainda não percebi essa do Velho do Restelo ou do inquisidor.
          Estudar o fenómeno não me parece exclusivo de nenhuma dessas condições, e muito menos pretender preservar e promover a essência do mesmo. e, já agora, aconselho novo estudo da figura do Velho do Restelo, que Camões não lhe empresta esse entendimento que lhe dás (e, como em tunas, aqui está um cabal exemplo de quem interpreta sem conhecimento).

          8º Concordo plenamente com o viva à democracia e liberdade de expressão (que não se devem confundir com libertinagem e com o fazer o que bem nos apetece, pois direitos vma par com deveres também). Mesmo em democracia, há valores que não se alteram "à vontade do cliente", como sucede com a nossa bandeira, com as nossas leis fundamentais.

          9º Não pretendo ser democrático no que respeita a factos. Factos são isso mesmo. Preto não deixa de o ser só porque outros 20 determinam que é branco.
          Falas em tradições obsoletas, com um desdém que ou é ignorância ou má fé, porque se há coisa que todos deveriam reconhecer é a importância do nosso património e a necessidade, pelo menos, de o conhecer (é o mínimo que se pede a gente letrada).
          Não estou agarrado ao passado, antes interessado em o conhecer e perceber, algo que ajuda a distinguir as coisas.

          Só não percebo como é que integraste uma Tuna (que é uma tradição obsoleta, já que tem mais de 100 anos essa cultura), como pudeste trajar ou estar na praxe (também obsoleto, pelas mesmas razões).
          É que isto de Tunas, quanto a mim, não é um rodízio self-sevice

          Mas já percebi que não te importarias nada com

          a) a tua tuna a adoptar o pijama como traje;
          b) as tunas a tocar com guitarra electrica, samplers ou com uma mesa de misturas, tipo DJ, porque aí a bateria, saxo e afins já exerciam melhor a sua versatilidade;
          c) a tua tuna a usar, como estandarte, bandeira estapada com o Che;
          d) a capa e batina (ou equivalente) a ser substituída por um fato treino (para condizer melhor com sapatilhas ou patins).

          Certo?
          E não me digas que não, porque, nesse caso, os teus mesmos argumentos (do "não estragam", da "democracia"; da "legitimidade"; da "inquisição ou velho do Restelo" ou das "tradições obsoletas") serviriam para te contradizer.
          Deste modo, presumo que apoiarias. Estamos conversados neste ponto.

          10º o décimo ponto, apenas para dizer que o meu ego está pelo menos repleto de uma certeza: o desejo de saber e conhecer, porque com isso aprendo.
          Se sou ouvido, ou não, isso não sei (mas ambos aqui escrevemos, por isso lá teremos, cada um, essa ilusão -a de que alguém lê), o certo é que parte daquilo que digo, há quem leia (goste ou não, é-me igual ao litro), a começar por ti.
          Se me é permitida a presunção, acrescentaria que tenho, para mim, que falo suportado em conhecimento adquirido pelas minhas próprias pesquisas e esforço (a que acresce o que leio e discuto com outros que fazem esse mesmo caminho e esforço intelectual), que falo do que sei, e não de cor.

          E paa não ficares a pensar que levo isto a peito (já que personlizaste tanto o teu anterior post), descansa que não.
          Eu prefiro discutir ideias e saberes, e não pessoas.

          Beijo grande.
          [ Responder a J.Pierre Silva ]
      • O Novessetum respondeu a J.Pierre Silva em 10-11-2009 01:56
        Ó J. Pierre.

        Queres que no meio disto tudo te diga o que é tradição?
        É a capa e batina!!!

        Vamos então discutir a coisa pela raiz. Quem não usa capa e batina respeita a tradição? Que tradição? Quanto tempo leva algo a ser considerado tradição? 10, 20, 100 anos?

        Eu não ando aqui a defender nenhuma Tuna em específico, que fique bem claro.

        Agora não me venham falar em tradição musical. A musicalidade evolui ao longo dos tempos. As gerações de hoje quando entram para a Tuna já apanham uma qualidade musical que eu não apanhei quando entrei. E assim sucessivamente. É natural e salutar que procurem algo mais. Porque essa é a essência de um músico... e de um criativo em geral... criar, inovar.

        Quanto ao idioma: A Tuna Universitária do Porto já cantou em Goês!!! Enquadra-se na "tradição"?

        Quanto ao enquadramento de outra "Tunas" que não cumpram os "requisitos". Quem segue este forum há algum tempo, sabe que acredito na selecção natural.

        [ Responder a O Novessetum ]
  • R T respondeu a César Tiago Moreira Fernandes em 09-11-2009 11:05
    Ilustríssimos:

    Tema recorrente, de facto. Sem qualquer dúvida. Prova cabal e inequívoca da sua pertinência; se o mesmo fosse despiciente morreria no segundo seguinte ao que foi despoletado. E é precisamente por essa razão que, mais uma vez, cá estamos alguns - uns do "costume" e outros novos, as usual - a falar sobre este tema tão sensível quanto revelador do actual estado geral em que o fenómeno se encontra.

    1ª Constatação: se o assunto fosse por si só um disparate ele não se colocava hoje e/ou ciclicamente. Curiosamente, de cada vez que se coloca mais força ganha a sua razão em ser colocado.

    Coloca-se hoje - e outra vez, pela enésima vez - porquê? Bom, coloca-se novamente porque é insensato ou despreocupado quem acha que o mesmo não tem razão de ser colocado. Ninguém debate um assunto em concreto, tenha a opinião sobre ele que tenha, se o mesmo não lhe merecer pelo menos razão de ser, pertinente portanto. Vejamos a garrafa agora meia-vazia: a quem não interessa colocar este assunto à tona? Na versão da garrafa meia-cheia, a quem interessa - novamente - colocar o assunto? Por si só estas duas visões da mesma garrafa atestam, desde logo, a importância - e o medo de alguns - em que o tema renasça ciclicamente. É óbvio.

    Por força do atrás dito, concluí-se sem grande dificuldade que há quem não queira ver este assunto debatido. Porquê? Uns por "Nacional Porreirismo" (modalidade olímpica nascida em Portugal) que se traduz num sempre psicadélico por despreocupado "i´m free to do what i want any old time" tão bem "rasgado" pelos Rolling Stones, essa grande Tuna britânica. Outros por manifesto cagaço interesseiro que se traduz brilhantemente num tema do saudoso Tony de Matos intitulado "Só nós dois é que sabemos", quase que a dizer que os outros trezentos e pico não sabem coisa nenhuma e andam todos a nanar e por isso, vai daí, vale tudo em palco ou fora dele. Ou seja, entre um "I´m free" e um "Só nós dois é que sabemos", apetece-me logo cantar a "Queda do Império" do não menos grande Vitorino, pois entre uns e outros, sobre Tunas só mesmo perguntando ao vento, que o que os outros dizem e escrevem de nada vale. Uma paródia vanguardista, basicamente, que se sintetiza no tema "black or white" cantado por Michael Jackson que, como todos sabemos, é o paradigma da coerência entre o branco e o negro, politicamente correcto nos tempos em que corremos, note-se.

    Cruzando com esta noção acima que, com expressões e razões distintas apenas se limita a tentar justificar o injustificável, temos uma verdade incontornável a sustentar a mesma: a espontaneidade do fenómeno Tunante, noção de sempre - ainda que em dadas alturas o fenómeno sobreviveu por força da falta dessa mesma espontaneidade, numa excepção à regra: Nos tempos do Franquismo, por exemplo, de onde nós, tunas portuguesas, fomos beber tantas coisas, como por exemplo os símbolos na Capa. Será investigar, portanto, que é o que se costuma fazer quando nada se sabe, como fiz e faço, admitindo desde logo a minha ignorância sobre a matéria que procuro contrariar diariamente.

    Como antes achava hoje continuo a achar. Uma associação/federação entre Tunas - sejam elas 5, 50 ou 500 - é tão voluntarista quanto justificável e por isso, mais que viável, haja quem assim o queira fazer. Se não foi feita até hoje 1º) isso não significa que não aconteça e 2º) porque provavelmente não temos pernas ainda para dar tamanho passo. Será, pois, questão de tempo, mais do que propriamente vontade. Agora, que a mesma é um imperativo - e se até hoje não existe a mesma e as coisas caminham para um cenário caótico e de completa bandalheira - tal é um facto inegável, ultrapassados que estejam alguns pontos quentes para entendimentos mais abrangentes. Quem não alinhar fica como está, entregue a si mesmo, parece-me pacífico e legítimo até por parte de quem não se queira alinhar e nem sequer é isso importante neste contexto. O importante neste futuro cenário será observar-se o que ocorrerá por parte daqueles que vêm neste possivel entendimento uma clara ameaça ao seu modus facienti; como eu os compreendo, pois é caso para recear de facto.

    A espontaneidade do fenómeno Tunante não é a mesma coisa que permissividade tunante ou uma espécie de "laissez faire"; são conceitos distintos entre si, porque a espontaneidade de sempre do fenómeno tunante nunca serviu para justificar o injustificável. Espontaneidade por força de se ser Tuno (e com tudo o que isso abarca) e não espontaneidade para desatar a provocar, chocar por chocar, vestir e calçar o que bem se entende e por aí fora. Isso não é espontaneidade, isso é parvoíce e em alguns casos, calculada e pensada para atongir um objectivo apenas: publicidade - e sendo esta cara hoje em dia, já nem se coloca a questão se negativa ou positiva, desde que exista e provoque reacção, seja ela X ou Y. Ou seja, um fenómeno onde se inserem claramente exemplos como o Zé Cabra ou o Tino de Rans, apenas para citar alguns entre muitos - e se me lembrei destes é sinal que a publicidade chocante funciona.

    O que é deveras chocante é a tremenda contradição a que assiste neste meio peculiar: Sendo estudantes universitários, chegados à Tuna Universitária o comportamento geral é de alergia ao conhecimento tunante. Pois, já sei, o meio é espontaneamente inculto, sim, pois, claro, of course. Ou seja, entre o atrás dito e o Zé Cabra não há grandes diferenças, vamos convir. "É pá, até é giro, a malta ri-se bué": outra modalidade olimpicamente "tuga" que consiste no facto de se colocar um bom actor a cantar mal, um bom futebolista a passar modelos sofrivelmente ou um bom político a contar de forma fraca e sem graça alguma anedotas – E consta que o Tino de Rans era e é um excelente calceteiro. Ou seja, esta noção de que qualquer um pode ser o que quiser (julgando que) com sucesso quando se acaba de perder, ates sim, um bom profissional na sua área para se "ganhar" um péssimo “outra coisa qualquer”. É a chamada "interdisciplinaridade" dos tempos modernos que faz com que Darwin deixe de ser, num ápice, quem foi e passe a ser um desgraçado qualquer sem importância, portanto.

    Depois, nesta equação errada à nascença, entroniza-se e desculpabiliza-se até o burlesco paratunante colocando logo de imediato o rótulo conservador - esse sim, bem conservador o que no meio de tanta "espontaneidade" não deixa de ser grotesco - a quem é tunante e tradicionalmente competente. Coisa maniqueísta que, se colocada ao contrário, faria todo o sentido. Mas não, "os gajos até são engraçados, free to do what they want! Não sejam caretas, pá, cambada de energúmenos que tem a mania que sabem destas coisas das Tunas!!". É uma maçada, saber-se, investigar-se. Quase criminoso! Aguardo a minha medida de coacção, preferindo a da moda - apresentação periódica na esquadra da residência…


    Bom, não vos maço mais pois até para estudantes universitários acho que já me estiquei em demasia (ou “bué” como se diz agora de forma espontânea). Acontece é que com tanta evidência à frente dos olhos, só não vê quem não quer realmente ver. Uma Tuna universitária não é a mesma coisa que um grupo de estudantes da mesma universidade vestidos da mesma maneira e que tocam umas coisas. Não é. Isto é um facto, não é uma opinião. Até eu que nada sei destas coisas de Tunas percebi isso a seu tempo, com estudo e investigação sobre o tema. Mas admito que haja quem sem ler uma linha saiba muito mais do que eu sobre estas coisas; Quando for grande quero ser assim, como o Zé Cabra…

    Abraços!

    [ Responder a R T ]
    • R T respondeu a R T em 09-11-2009 11:44
      Apenas uma nota de rodapé, Rita:

      Mormente ninguém ter levantado a questão até tu a levantares, devo dizer que e quanto ao tema Tuna feminina: Esta ultima, sim, tudo a favor, tradicional desde que a Mulher chegou ao ensino superior e reproduziu uma tradição antiga, anterior,que já existia. Já Tunas Feministas é que não, obrigado. Não se misturem conceitos distintos, pois se a Tuna Feminina é uma tradição - como cosnta de vasta literatura - já Tuna Feminista é uma contradição, para lá de absurda e ela mesma, no seu conceito, é a versão machista no feminino por excelência. Feminina sim, Feminista, não. Como dizes e muito bem embora com outros exemplos, o tempo da queima do soutien já lá vai.

      Bjokas!
      [ Responder a R T ]
  • César Tiago Moreira Fernandes respondeu a César Tiago Moreira Fernandes em 10-11-2009 12:15
    Pedindo desde já desculpas à direcção do PTunas e aproveitando o momento, fica a ajuda divulgação na duvulgação da "I Fuga de Alcatraz" - Encontro de Tunas promovido pela Tuna Académica da ESEIG - Gatunos,no próximo dia 18 Novembro(quarta-feira) em Vila do Conde, com a participação da:

    - Afrodituna;
    - TAIPCA;
    - Gatunos;
    - Tuna Académica da ESTGF - TUSA;



    Saudações
    [ Responder a César Tiago Moreira Fernandes ]
  • R T respondeu a César Tiago Moreira Fernandes em 10-11-2009 02:38
    Já agora, umas perguntinhas de um absoluto leigo sobre estas coisas das Tunas, se alguém souber responder, agradecia.

    Existe alguma relação directa ou indirecta - partindo do pressuposto que as Tunas universitárias por cá, hoje, são musicalmente melhores que nos anos 90, p.ex. - entre tocar-se e cantar-se melhor e trajar-se um fato de astronauta, patinando suavemente de palco em palco?

    Será que por usar-se uma farpela tão "careta" como a Capa e Batina se canta e toca pior? Será que o gorro da Praxe asfixia - tema na moda, também - as cordas vocais? Há alguma relação directa entre Podologia e Musicalidade?

    Agradeço a quem souber que me informe, por obséquio!

    Grato!

    Abraços!
    [ Responder a R T ]
    • O Novessetum respondeu a R T em 10-11-2009 03:49
      Caro RT (já te disse que gosto das tuas iniciais?)

      No meu ponto de vista, as Tunas estão musicalmente melhores. No que respeita à minha Tuna... muito melhores mesmo (mais feios... mas melhores).

      Continuo a achar que ainda só poderemos falar de tradição geral de Tuna no que respeita à capa e batina. Tudo o resto é "tradição" de meia duzia de anos.

      Eu conheço a tradição da minha Tuna. Aliás, os "antigos" Tunos reveem-se nela (eu pelo menos revejo), o que é sinal que a mensagem foi passando ao longos dos anos. Ou por outras palavras "que a tradição se manteve"

      Ainda ninguem me repondeu o que é essa coisa da tradição tunante. A que tempos remonta, etc e tal!!! Qual a musicalidade tradicional. Quais os instrumentos de tradição enraizada.

      Abraço

      [ Responder a O Novessetum ]
      • J.Pierre Silva respondeu a O Novessetum em 10-11-2009 08:51
        "Ainda ninguem me repondeu o que é essa coisa da tradição tunante. A que tempos remonta, etc e tal!!! Qual a musicalidade tradicional. Quais os instrumentos de tradição enraizada."

        É o que dá falhar aos ENT! hehehehe
        Nem tu pudeste saciar essa curiosidade, nem eu, da minha parte, ter, finalmente, a oportunidade de te conhecer pessoalmente, caro RT.

        Teria todo o gosto em poder discutir e explanar o assunto, mas por uma questão de princípio, e de respeito, para com os colegas de CoSaGaPe, não posso adiantar daquilo que será pormenorizadamente explicado na obra que, em breve, queremos colocar nas estantes.
        Descansa que existe tradição, tal como muitos mitos que cairão redondos.
        Foi feita ums sinopse no último ENT exclusiva ao mesmo, mas estou certo que o Sabanda te poderá, pessoalmente, adiantar algo mais.

        Forte abraço
        [ Responder a J.Pierre Silva ]
        • R T respondeu a J.Pierre Silva em 10-11-2009 09:11
          Portanto, assim sendo, RT (eheheheh), já sabes, marca lá uma jantarada e quem se quiser juntar que diga coisas!!!

          Abraços!
          [ Responder a R T ]
          • O Novessetum respondeu a R T em 10-11-2009 11:32
            Ó Sabanda, ouvi dizer que pagavas as francesinhas...

            [ Responder a O Novessetum ]
            • R T respondeu a O Novessetum em 10-11-2009 11:38
              Só pago as francesinhas - salvo seja... - se as mesmas forem feitas com pão bijoux, kebab, couve de Bruxelas e regadas com molho Cocktail. Há que inovar, caraças, senãoisto não anda prá frente!!!!!!!!

              Abraços!
              [ Responder a R T ]
              • O Novessetum respondeu a R T em 11-11-2009 01:00
                Estás a ver que belo exemplo do que é tradição.

                O unico sitio onde vi vender francesinhas vegetarianas (o que quer que isso seja) já faliu.

                Selecção natural, meu caro.
                [ Responder a O Novessetum ]
        • O Novessetum respondeu a J.Pierre Silva em 10-11-2009 11:28
          Ó J.P.

          Não tenho tempo nem para me coçar, quanto mais ENT's.

          Quanto à tradição, sei bem o que é. O que queria concluir desta discussão é que o argumento tradição é usado a torto e a direito. Já ouvi tanta anormalidade com o argumento tradição...

          Quando vieres ao Porto vamos as francesinhas, mas não é para falar de tradição. O Sabanda paga.
          [ Responder a O Novessetum ]
          • J.Pierre Silva respondeu a O Novessetum em 11-11-2009 09:37
            Ilustre 971 (tens de me explicar essa alcunha),

            Tens de ver se arranjas tempo para te coçar, preferencialmente em altura que coincida com um ENT (assim matas 2 coelhos de uma só vez). O próximo já é mais perto do Porto! Nessa altura, só para festejar, pago eu a rodada!

            Obviamente que a "tradição" é, demasiadas vezes, modelada, tal plasticia nas mãos de uma criança, ajeitando-se às interpretações de cada um, esquecendo, muito boa genrte, que há certas coisas que são denotativas e, pro isso, não sujeitas a felxíveis subjectividades, mas adiante. Como te disse, muito bom mito cairá, e muitos ranger de dentes se ouvirão.

            Estou mortinho pro ir ao Porto (quando vou para essas bandasm fico-me pela Maia), mas ainda não foi possível.
            Obviamente que o Sabanda paga, o Eduardo leva os charutos e tu bem podes tratar da hidratação vintagística, hehehehe. Da minha parte levo o digestivo (Cognac ou aguardente velha, se gostarem, hehehehe).
            [ Responder a J.Pierre Silva ]
            • R T respondeu a J.Pierre Silva em 11-11-2009 11:06
              Qual Cognac ou aguardente velha!!! Shot´s, seus caretas "velhos do Restelo, Alvalade e Dragão"!!!! Inovem!!!!!!!!!!!!

              Caro Noveseteum: Acredito na selecção natural. Mas acredito também numa selecção imposta: Tunas versus o resto.

              Abraços!
              [ Responder a R T ]
              • André Pereira respondeu a R T em 11-11-2009 11:54
                Um tópico que começa por definir "o que é afinal uma tuna?" já se encontra a debater a teoria evolucionista de Darwin e a selecção natural...

                Estarão as duas ligadas? Isto é, nas tunas, tal como na natureza, aquilo que é acessório e não fundamental desaparece?

                Abraços a todos!
                [ Responder a André Pereira ]
                • J.Pierre Silva respondeu a André Pereira em 11-11-2009 05:31
                  Vou mais numa de selecção Espartana! hehehehe
                  [ Responder a J.Pierre Silva ]
                • Sir Giga respondeu a André Pereira em 22-11-2009 03:55
                  Caríssimo André, estavas mesmo a pedir a minha intervenção... he he.

                  Antes de mais, esclareço que o conceito de "selecção natural" foi enunciado primeiramente nas Ciências Sociais, tendo sido depois adaptado pelo tio Darwin para o aplicar na Biologia. Richard Dawkins, aliás, tem procurado demonstrar que esta teoria serve como um "guindaste teórico" que permite interpretar a dinâmica e evolução do Universo no seu todo, do micro ao macroscópico. Então porque não as tunas, já agora? Para evitar interpretações dúbias, cá fica o evolucionismo darwinista, na versão light:

                  Numa qualquer espécie, há variabilidade natural, havendo indivíduos que num determinado contexto terão maior vantagem selectiva, na disputa de recursos finitos com outros membros da sua população, espécie ou com outras espécies. Aquelas populações cujo "pool" genético garante maior sucesso reprodutivo aos indivíduos que a constituem terão, consequentemente, maior descêndência, que por sua vez tornará progressivamente mais dominante esse conjunto de genes. Assim, alguns genes são "beneficiados", ao passo que outros poderão mesmo desaparecer. Ao longo dos anos, com o efeito cumulativo deste processo, uma determinada população (ou mais) poderá acumular tanta variação que se torna reprodutivamente isolada da outra, constituindo-se assim como uma nova espécie.

                  E com a tunas, como poderá funcionar?

                  Imaginemos que cada tuna representa um indivíduo da espécie Homo sapiens tunae<fechar italico> (as tunas, no seu conjunto). Há já imensa variabilidade, o que até é bom, pois essa variabilidade é muitas vezes um garante da robustez da espécie. Há já, atrevo-me a dizer, populações (grupos de indivíduos da mesma espécie) bem definidas, aquilo que chamaríamos "tunas de Lisboa", "Estudantinas", "Tunas de Coimbra", "Tunas do Porto", "Tunas de Braga", "Tunas Femininas", "Tunas Mistas" (Ok, um paradoxo, já sei) "Pseudo-tunas", etc. Os "genes" poderão ser as tradições, valores e repertório de cada tuna, por exemplo.

                  E vamos agora às possibilidades para o futuro, traçando um paralelo com o que pode acontecer na natureza:

                  1 - Uma espécie poderá manter-se mais ou menos inalterada, preservando-se a variabilidade dentro do seu seio, tornando-se por vezes uns genes mais frequentes que outros nas populações, consoante as exigências ambientais.

                  2 - Uma profunda alteração ambiental exerce pressão selectiva sobre a espécie, favorecendo muito mais uns genes em detrimento de outros, fazendo-a evoluir (em Biologia, o termo "evolução" não tem carácter qualitativo, subjectivo ou estético. Implica apenas a mudança irreversível, não sendo "boa" ou "má") ou desaparecer.

                  3 - O surgimento de novos ambientes, o isolamento geográfico e/ou reprodutivo, bem como a acumulação de "mutações" leva ao surgimento de novas espécies, que divergem da primeira ou a substituem.

                  Assim sendo, se queremos preservar a tradição tunante como a conhecemos, há que considerar as seguintes premissas:

                  a) A variabilidade é boa. A homogenia só leva à fragilidade da nossa "espécie". Devemos é ter em atenção a mutações radicais e à acumulação das mesmas.
                  b) O "ambiente" deverá ser controlado, na medida do possível. Só há "deriva genética" se houver ambiente para a mesma se expressar com sucesso.
                  c) Exercer devida "pressão selectiva" sobre a espécie, de modo a que os indivíduos ou populações menos adaptados ao meio, se adaptem ou sucumbam.

                  Digo eu.

                  Um abraço


                  [ Responder a Sir Giga ]
                  • Sir Giga respondeu a Sir Giga em 22-11-2009 04:09
                    Ah, raio do itálico.

                    Já agora, aproveito para divulgar uma conferência sobre Darwin que irá ter lugar no Museu Soares dos Reis, dia 24 de Novembro, pelas 16h30.
                    [ Responder a Sir Giga ]
                  • R T respondeu a Sir Giga em 26-11-2009 11:41
                    "a) A variabilidade é boa. A homogenia só leva à fragilidade da nossa "espécie". Devemos é ter em atenção a mutações radicais e à acumulação das mesmas.


                    b) O "ambiente" deverá ser controlado, na medida do possível. Só há "deriva genética" se houver ambiente para a mesma se expressar com sucesso.


                    c) Exercer devida "pressão selectiva" sobre a espécie, de modo a que os indivíduos ou populações menos adaptados ao meio, se adaptem ou sucumbam"

                    (fim citação)


                    Concordo com o 1º parágrafo da alínea a) sem prejuízo do 2º paragrafo da alínea b). Para mim e no actual estado em que o cenário se encontra, mormente os 3 pontos acima serem logicamente importantes, dou particular ênfase à alínea c) e suas consequências derramadas no final. E é aqui, nas consequências, que deve a Tuna em sentido lato apostar claramente.

                    Abraços.
                    [ Responder a R T ]
              • O Novessetum respondeu a R T em 11-11-2009 12:10
                Não acredito que esse seja o caminho, mas tudo bem!!!


                [ Responder a O Novessetum ]
            • O Novessetum respondeu a J.Pierre Silva em 11-11-2009 12:09
              Não é novecentosesetentaeum é novessetum.

              Abraço
              [ Responder a O Novessetum ]
        • André Melman respondeu a J.Pierre Silva em 10-11-2009 11:42
          "que as cores do FCP passassem a ser o vermelho ou o verde"

          Heresia! Quiçá blasfémia.

          "A Tuna X ou Y usa ténis baseado em que pressuposto, em que precedente histórico ou tradição tunante?"

          Na [tradição]que eles crêem estar a criar, desenvolver, revolucionar ou outro qualquer sentido que lhe seja atribuído. Cada um é livre de trilhar o seu caminho, compreendendo que face à adopção de comportamentos que ferem os valores dos seus pares a postura destes face a esse mesmo grupo se altere [ou não] positiva ou negativamente. Assim, a "tradição" que eu defendo, pode não ser a que o Zé da Tuna de Agrónomos de Pedrouços defende.
          É bom ver opiniões divergentes (só o facto de aqui debatermos, com mais ou menos vigor comprova isso), bem ou mal fundamentadas, certificadas por factos historicamente comprovados ou não. Não se trata de saber qual a tradição mais válida, pois só existe uma tradição. Trata-se mais de saber qual o paradigma que cada um defende para a sua tuna e para o mundo tunante, creio que é isso fundamental discutir, para que se possa perceber para onde caminham as tunas no séc XXI.

          "A Tuna Z ou W toca com bateria, saxo e outros que tal, suportada em que traço característico da tipologia Tuna; com que base histórica e cultural tunante?"

          Para além disso também nos poderíamos perguntar com que base cultural histórica e tunante, algumas tunas usam outro traje que não a capa e batina, seja ele inspirado em trajes etnográficos, renascentistas ou dos "morangos com açúcar". Embora esta questão, tenha outras condicionantes que evidentemente não se colocam na anterior. Pessoalmente, compreendo e aceito algumas destas situações, mas sobre a maior parte não me posso pronunciar por falta de conhecimento.

          Federação Portuguesa de Tunas, ora ai está um conceito interessante, desprovido de sentido nesta discussão, mas que merece séria reflexão de todo os tunos e tunantes. A minha resposta é nim (esclarecimentos e um rascunho de algo que possa vir a assemelhar-se a é preciso)!

          Atentamente,
          André Melman
          [ Responder a André Melman ]
  • Andre João Boavida Gonçalves Bentes respondeu a César Tiago Moreira Fernandes em 25-02-2010 02:17
    Carissimo J.Pierre Silva, não posso concordar mais contigo. Se ninguém, no mundo das tunas, tem legitimidade para nada, o que me dizem os liberalistas de haver uns miudos do 7º A da Escola C+S ou uns caramelos do Clube Recriativo e Desportivo de Curral de Moinas que se juntam com um Reco-Reco e uns Ferrinhos para tocar e se auto-intitulam de Tuna. Quem é que tem legitimidade então para dizer que o traje académico só deverá ser usado por estudantes universitários?

    Se não há regras para nada, ou melhor, se só há regras ou se as tradições só são válidas para o que nos convém, confesso que o mundo das tunas então é uma autêntica anarquia.
    Há factos históricos, há tradições que se criaram, vamos aceitá-las e respeitá-las ainda que angustiantemente sejamos por questões éticas obrigados a respeitar quem não as respeite.

    Abraços e beijos

    [ Responder a Andre João Boavida Gonçalves Bentes ]

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